Brasileiros no exterior e a síndrome do pão de queijo

Ao sair do Brasil para viver em outro país, você fica no início encantado com as novidades, começa a experimentar tudo, comendo ou pelo menos provando o que vê pela frente, gostando de umas coisas, detestando outras.

É só uma questão de tempo até que você seja acometido por um mal que chamo “SÍNDROME DO PÃO DE QUEIJO”, que é uma forte saudade da comida brasileira.

Você começa então a correr atrás de produtos do Brasil ou sucedâneos, comparando os produtos locais e buscando coisas pelo menos semelhantes àquilo que seu paladar conhece tão bem.

É uma verdadeira luta para conseguir polvilho, goiabada, picanha, feijão, farinha de mandioca, creme de leite, cocadas e diversas outras coisas típicas de lá, mas que nem sempre são fáceis de achar por aqui. E você vai sofrer com essa eterna vontade de comer comida brasileira.

Isso é mais que compreensível, já que a melhor comida sempre será aquela que se conheceu na infância, mas você vai penar muito se tiver grande apego a produtos brasileiros. Tem gente aqui que só anda tensa atrás de algum produto que seja pelo menos parecido com aquilo que está com vontade de comer.

Uma das coisas extremamente procuradas é PÃO DE QUEIJO (no Facebook já andam até compartilhando receitas de como fazer pão de queijo no liquidificador!). Correr atrás de produtos brasileiros termina virando uma verdadeira terapia ocupacional para alguns!

Sim, no início corremos atrás de produtos “brasileiros” e de coisas que na verdade só são gostosas mesmo no Brasil. Se você faz uma feijoada aqui, por exemplo, você jamais encontrará exatamente os mesmos ingredientes, sua feijoada poderá até ficar boa, mas não terá o mesmo gosto que a feijoada feita em casa por sua mãe, aquele gosto armazenado em sua memória, aquela vontade que quer satisfazer, mas que jamais conseguirá realmente por aqui. E, com o passar do tempo, seu gosto irá mudar, seu paladar vai se adaptar à comida daqui, você começará a achar (com razão!) que doces brasileiros são doce demais, você começará a tomar café com menos açúcar e você gostará menos de comer pão branco, por exemplo.

Mas, apesar dessas mudanças, aquela vontade de comer algo do Brasil jamais deixará de existir totalmente e você vai sempre voltar a correr atrás de algum produto brasileiro. Mas saiba: isso é perfeitamente normal! Todo migrante passa por isso. Só tenha cuidado para não exagerar e não terminar fazendo besteiras só para comer pão de queijo ou outra coisa qualquer do Brasil, como nessa história de uma brasileira na Alemanha, que recebeu visita do irmão e pediu para ele trazer alguns quilos de polvilho:

“Maria vivia há três anos na Alemanha com seu marido Hans, um alemão de Stuttgart. Durante todo esse tempo, ela sentia uma vontade enorme de comer pão de queijo, mas não havia conseguido comprar polvilho por aqui.

Quando ficou acertado que Antônio, seu irmão mais novo, viria visitá-la, ela não hesitou e pediu a sua mãe para enviar alguns quilos de polvilho por ele.

Bom, até aqui estaria tudo bem, se a mãe, com as melhores intenções, não tivesse tido a ideia maravilhosa de retirar o polvilho da embalagem original, colocando-o em sacos menores, pois ela queria distribuir melhor o peso e o volume na mala do filho.

E assim, Antônio, que só falava português, chegou no aeroporto de Frankfurt com a mala cheia de saquinhos com pó branco e é claro que ele foi barrado pela alfândega. Quando o policial abriu a mala e viu aqueles saquinhos bem arrumadinhos no meio das roupas, perguntou a Antônio o que era aquilo.

O rapaz não entendia o que o policial dizia, mas já havia entendido que havia problemas por causa de seu “pó”. Com medo da situação tomar um rumo mais sério, ele ficou nervoso e repetia o tempo todo <<É polvilho, é polvilho…!>>. E ficou lá repetindo, por mais de quatro horas, que foi o tempo que a polícia precisou para analisar o pó em laboratório.”

Portanto, pode continuar com vontade de comer coisas do Brasil, mas não deixe que a Síndrome do Pão de Queijo tome conta de você 😉

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