Pergunto-me se a polêmica do homem nu no museu que ocorreu no Brasil seria vista da mesma forma na Alemanha. Por aqui a nudez não é tabu. Crianças vêem gente pelada o tempo inteiro; no verão o pessoal se bronzeia ao pé de rios e lagos como vieram ao mundo. Crianças frequentam juntamente com seus pais (ou responsáveis) saunas, onde todo mundo fica peladão. Ninguém dá bola.

Arte com nudez não é escândalo. Crianças vendo pessoas nuas não é essa controvérsia toda. Talvez o fato de uma criança pequena tocar, interagir com o homem nu não passasse despercebido. Talvez algumas pessoas não gostassem, achassem nojento. Muitos se perguntariam por que envolver a criança, por que encorajá-la. A pergunta que vi nas manchetes reportadas por aqui era se a performance poderia ser considerada arte. Mas essa polêmica toda? Essa caça às bruxas como houve no Brasil? Duvido!

Na Alemanha nudez não é sexualizada como no Brasil. Uma coisa é você aprender sobre o corpo humano, sobre de onde vem os bebês; outra coisa é o corpo como instrumento do sexo. É uma diferença sutil, mas acredito que ela existe. Já no Brasil, a nudez se iguala a sexo porque nudez é tabu. Topless é proibido (exceto no Carnaval). Nudez de um homem então, ave Maria! Só pode ser pornografia. A nudez no Brasil se iguala a sexo, acredito eu.

Se a tal performance pode ser considerada arte, fica na opinião de cada um. Que a criança não precisava tocar o homem nu (afinal, se em museu não podemos tocar estátuas, por que tocar o homem?), isso realmente não precisava. Que é de gosto questionável, sem dúvida.

Entretanto, me pergunto se essa atitude tupiniquim com nudez e com a mania de tudo erotizar não eleva esse tipo de coisa ao nível de um escândalo sem sentido. Se a nudez fosse mais normal e não só uma coisa carnavalesca (e feminina), seria a controvérsia tão grande assim? O que vocês acham?

Crédito – Imagem de capa: Mykola Komarovskyy / Shutterstock

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