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sexta-feira, 28 janeiro 2022

Berlim, uma cidade suja que dá lixo de presente

Berlim cada vez mais suja. Entulhos, garrafas quebradas, sofás, colchões e outros móveis velhos e excrementos de cachorros se espalham pela cidade.

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Quando cheguei em Berlim, há cerca de duas décadas, fiquei chocado com a sujeira que se espalhava pela cidade. Morei antes em Munique e estava acostumado com ruas e parques limpos.

Sabia que a cidade estava sem dinheiro e muito endividada e passava por uma fase de enorme transformação, na transição de cidade dividida para metrópole cosmopolita, metamorfose ainda não concluída até hoje. Entendendo isso, acreditei que o excesso de lixo seria só uma questão de tempo e que iria melhorar. Mas me enganei.

Berlim cada vez mais suja

A capital alemã está uma cidade cada vez mais entregue à sujeira. Em todos os cantos, lixo no chão, entulhos, garrafas quebradas, sofás, colchões e outros móveis velhos, sujos e quebrados, sem falar dos excrementos de cachorros. Terrenos baldios e ruas menos movimentadas terminam virando verdadeiros depósitos de lixo. A pandemia, mesmo não sendo a causa primária de tanta sujeira, tem agravado a situação. O problema é maior nas áreas centrais e em determinados bairros, mas atinge visivelmente toda a cidade.

A sujeira de Berlim tem sua causa em dois “ingredientes” principais, que se somam: um serviço de limpeza da administração municipal que deixa muito a desejar e o mau comportamento das pessoas.

Remoção de cestos de lixo e limpeza insuficiente

A sujeira em Berlim é também consequência de um serviço ruim de limpeza: o lixo fica largado nas ruas por muito tempo – como dono de cachorro, observo bem o que se encontra no chão e vejo que certos cantos não são varridos por semanas ou meses, e, para piorar a situação, a administração municipal removeu muitos cestos de lixo das ruas, o que faz com que mais dejetos sejam jogados no chão. Os cestos restantes ficam por muito tempo transbordando e demoram de ser esvaziados.

Sujeira em Berlim

Uma cidade de “Sujismundos”

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Mas a limpeza ruim por parte da administração é só um dos lados da moeda. O outro são as pessoas, os habitantes e visitantes de Berlim, já que muitos se comportam de forma egoísta e jogam seu lixo em qualquer lugar.

Há quem faça piqueniques em parques e deixe seu lixo largado, inclusive restos de comida, o que atrai ratos – Berlim é conhecida como a “capital dos ratos”, com dois ratos para cada habitante.

Se alguém vai passear em certos parques de Berlim (por exemplo, Volkspark Humboldthain em Wedding) e sai dos caminhos principais, ele se depara com uma imensidão de lenços de papel, preservativos usados e até cuecas e calcinhas lá deixadas, sem falar de latas de bebidas energéticas e garrafas de bebidas alcóolicas.

Eliminação ilegal de lixo

Apesar de haver postos públicos de coleta gratuita de lixo volumoso, móveis velhos, tapetes e quaisquer objetos que se deseja eliminar, muita gente, por preguiça e egoísmo, joga seu lixo simplesmente na rua, em algum parque ou terreno baldio.

Como esse serviço de coleta só é gratuito para pessoas físicas, mas custa para empresas, muitas delas jogam seu lixo, muitas vezes até perigoso/nocivo à saúde, em algum canto menos movimentado.

Os festeiros e as garrafas quebradas

Berlim atrai, entre outros, o tipo de turista festeiro, que vem para a cidade para cair na farra e curtir os clubes, bares e discotecas da cidade sem qualquer preocupação em se comportar bem. Muitos bebem cerveja na rua e, sem qualquer acanhamento, jogam as garrafas no chão. O resultado é caco de vidro em todos os cantos, o que representa perigo tanto para outras pessoas como para animais. Mas não só turistas. Muitos berlinenses, principalmente jovens, comportam-se da mesma maneira.

Vandalismo

O vandalismo na cidade é grande, coisas são quebradas, cestos de lixo são derrubados e os resíduos são espalhados, agravando a situação.

Cachorros e seus excrementos

Berlim é também a capital dos cachorros. É cachorro por toda parte. Apesar de ser obrigatório remover as fezes do animal, muitos donos não o fazem, o que faz com que os excrementos fiquem espalhados pela cidade.

Animais selvagens

Em Berlim, vivem muitos animais selvagens, corvos, raposas, esquilos, javalis… Eles buscam alimentos no lixo deixado pelos humanos (também nos cestos) e terminam espalhando tudo nas calçadas, nos pátios dos prédios ou nos parques.

A pandemia agravou a situação

Berlim já era suja antes da pandemia, mas, sem dúvida, a situação piorou nos últimos dois anos. Talvez por frustração, tédio ou puro egoísmo das pessoas, aumentou bastante o lixo acumulado nas ruas. Também as festas clandestinas durante os lockdowns fizeram crescer a quantidade de lixo jogados nos parques. Máscaras usadas fazem agora parte do cenário sujo da cidade.

Lixo para presente 

Um costume que se tem em Berlim é o de não jogar fora coisas que ainda possam ser úteis para alguém e colocá-las na frente do prédio com um papel dizendo que pode levar de presente. É um bom costume e uma forma de partilha, solidariedade e sustentabilidade. Algo benéfico para todo mundo e já vi muitos móveis bons, utensílios domésticos, livros, roupas, enfim, tudo o que as pessoas tinham em casa e resolveram doar.

O problema é que tem gente que abusa disso, pega seu lixo, tralhas sujas e quebradas, tapetes velhos, colchões encardidos ou sofás mofados, coisas que ninguém quer ou precisa, coloca na rua e ainda tem o cinismo de colocar um papel dizendo “zum Verschenken” ou “zu verschenken” (de presente/for free). O resultado é que esse lixo fica ali na rua, por muito tempo, até ser removido pela limpeza pública.

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