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domingo, 17 outubro 2021

A árvore de Natal, uma tradição milenar

A árvore de Natal: conheça a origem e a história por trás dessa famosa tradição natalina que surgiu mais ou menos 3 mil anos antes de Cristo

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Os alemães chamam de Weihnachtsbaum, Christbaum ou mesmo Tannenbaum como a famosa canção popular de Natal do século XVI, Oh Tannenbaum.

Para algumas culturas, ela é um símbolo religioso do Natal e para outras culturas o mais importante dos elementos decorativos da festa natalina.

A tradição da árvore de Natal surgiu mais ou menos no período do terceiro milênio antes de Cristo. Povos pagãos da região dos países bálticos costumavam cortar pinheiros, e levar para as suas casas e enfeitavam de forma semelhante à dos nossos dias atuais. Mais tarde essa tradição chegou na Alemanha e países vizinhos através dos povos Germânicos, que colocavam presentes para as crianças sob o carvalho sagrado de Odin, o mais importante dos deuses da mitologia nórdica e nas crenças das religiões neopagãs germânicas.

Os povos germânicos passaram também a usar a árvore de Natal na festa sazonal yule. Para os antigos germânicos que celebravam o yule (ou Jul que hoje em dia significa Natal nas línguas escandinavas), uma festa pagã que ia desde os finais de dezembro até aos primeiros dias de janeiro, abrangendo o Solstício de Inverno, o verde dos pinheiros era um símbolo de vitalidade e crescimento constante. O pinheiro era a “árvore do meio do inverno”.

A árvore de Natal e os romanos

Por volta do ano 500 a.C., os romanos celebravam o dia 25 de dezembro como o aniversário de seu deus, o Sol, e os povos germânicos celebravam o festival yule. Os romanos também introduziram em sua cultura a árvore de Natal. Eles decoravam suas casas com ramos de louro na virada do ano. No culto a Mithras, o deus do sol era homenageado com uma árvore decorada no solstício de inverno.

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Também nas regiões do norte, ramos de pinheiro eram pendurados nas casas no início do inverno para dificultar a entrada e o aninhamento dos espíritos malignos, enquanto o verde dava esperança de retorno da primavera. No cristianismo, a festa do solstício era considerada um ritual pagão.

A Árvore de Natal como símbolo cristão

No início do século VIII, um monge beneditino chamado São Bonifácio (de Mainz) tentou acabar com essa crença pagã que havia na região onde hoje está localizado o estado alemão da Turíngia, para onde fora como missionário, com a missão de cristianizar os povos sem religião.

Com um machado ele cortou um pinheiro sagrado, no local de adoração no alto de um monte, mas não teve sucesso na erradicação da crença, e então decidiu associar o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e suas folhas resistentes e verdes à eternidade de Jesus.

Nascia ali naquele momento a Árvore de Natal como símbolo cristão.

Mas essa tradição originalmente pagã só se tornou um símbolo de esperança do Natal cristão a partir do século XVI.

A árvore de Natal moderna

A moderna árvore de Natal teria realmente surgido na Alemanha entre os séculos XVI e XVIII na era barroca, nas famílias aristocratas. Não se sabe exatamente em qual cidade ela tenha surgido. O que sabemos é que existem várias lendas em torno dela.

Uma dessas lendas é que, por volta do ano de 1530, Martinho Lutero passeava durante a noite pela floresta, e ao ver os pinheiros cobertos de neve, ficou impressionado com o que via. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, como velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta. Alguns registros antigos confirmam que Martinho Lutero festejava o Natal com seus filhos e a esposa Katharina von Bora ao lado de uma árvore decorada.

O uso de decoração nas árvores de Natal não tem sua origem historicamente comprovável, mas tem seu berço nos costumes de diferentes culturas e povos.

No século XVII, as pessoas começaram a colocar árvores de Natal decoradas em suas casas. Isso foi historicamente comprovado em um registro da cidade francesa de Alsácia (Elsass, próximo a fronteira com a Alemanha e a Suíça) de 1605.

Mas, naquela época, os pinheiros ainda eram raros na Europa e, portanto, muito caros. Inicialmente, apenas os cidadãos ricos podiam pagar por uma árvore de Natal decorada. As famílias simples pegavam galhos verdes como alternativa.

As árvores de Natal foram consideradas portadoras de esperança para uma nova vida, um verdadeiro símbolo de prosperidade e foram então decoradas com nozes, maçãs e doces. Mais tarde começaram a ser decoradas com velas e com as tradicionais bolas de Natal, que substituíram as maçãs.

A tradição chegou no continente americano

No século XIX essa tradição chegou aos EUA através de um professor de Harvard de origem alemã, porém na América Latina só se tornou popular no século XX.

Hoje em dia, essa tradição está presente nas culturas de povos católicos, protestantes e ortodoxos.

Mas foi somente em meados do século XX que a igreja se abriu aos costumes e permitiu árvores de Natal nas casas de Deus. Em 1982, o então Papa João Paulo II introduziu a primeira árvore de Natal no Vaticano. E, pela primeira vez, uma árvore decorada brilhou na Praça de São Pedro, em Roma.

Todos os anos, na Alemanha são vendidas entre 23 e 26 milhões de árvores de Natal que vão parar nas residências alemãs. 80% das famílias com mais de três pessoas decoram uma árvore de Natal no período das festas.

Hoje em dia, os pinheiros crescem nas plantações com mais abundância do que no passado. As sementes da popular e admirada “Nordmanntanne” vêm do Cáucaso. As plantas são então cultivadas em viveiros de árvores especiais na Alemanha. Só depois de dez anos de tratamento intensivo as árvores de Natal estão prontas para venda.

Texto escrito por Claudia Schäfer originalmente para o grupo Brasileiros e Burocracias na Alemanha

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